Cativar

O que há de estranho em mim - Gayle Forman

Autora: Gayle Forman
Ano de Publicação: 2016
Páginas: 214
Editora: Arqueiro
Título Original: Sisters in Sanity
Classificação: 4/5 

Sinopse: Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão. Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.


Sinto a necessidade de começar essa resenha confessando que essa foi a segunda vez que eu dei uma chance a Gayle Forman, o primeiro livro que li da autora (Se eu Ficar) não me agradou nem um pouco (tanto que demorei mais de 1 ano para pegar outra coisa dela para ler) e quando escolhi esse título pensei: se eu também não gostar desse eu desisto dela... ainda bem que eu gostei. 

Bom, nesse livro a Gayle vai nos mostrar a conturbada história de Brit Hemphill, uma menina que até certo ponto tem uma vida normal mas devido a acontecimentos familiares do seu passado tem vários problemas consigo mesma, com o pai e a madrasta, até aí tudo normal, nada indiferente para uma adolescente considerada "rebelde", todo o caos começa quando seu pai decide interná-la em uma instituição que promete "consertar" jovens problemáticos. 


Partindo dessa premissa a Gayle Forman consegue desenvolver uma história bastante cativante, que deixa o leitor ávido por mais a cada virada de página, os capítulos terminam de forma enigmática e insaciável ou seja: você não lê esse livro, você o devora.  
O ponto primordial da história e que rende a autora o maior dos aplausos é no quesito de criação das personagens, que são tão humanas que é quase impossível você não se identificar com alguma (ou com todas, como foi o meu caso) pois as jovens passam por dilemas que a grande maioria já passou e ainda passa. A Brit nossa protagonista é uma personagem com várias camadas e que apesar de acreditar que não merece estar em um lugar como a Red Rock se questiona em diversos momentos se realmente tem algum daqueles problemas que seus "terapeutas" tanto lhe jogam na cara e isso acontece com todas as meninas que em inúmeros momentos se deixam levar pelo que lhes é dito, e isso é a chave mestra de tudo: até que ponto devemos nos deixar convencer de algo que, no fundo, só nós sabemos se é verdade ou não? eis a questão. 

"A Dra. Clayton já agia como se me conhecesse melhor do que eu mesma, e essa arrogância me deixava furiosa, com vontade de quebrar tudo a minha volta."

O crescimento do livro vai acontecendo junto ao crescimento das personagens, a medida que elas vão percebendo com a Red Rock funciona e como elas devem agir diante de tudo e com elas mesmas, e nesse luta incansável para tentar segurar as rédeas da própria vida e não se deixar serem domadas, influenciadas e nem se perderem do que realmente são que as coisas vão caminhando. 

"Basta você entrar num lugar como se tivesse todo o direito de estar ali para que as pessoas a tratem como se você realmente tivesse todo o direito de estar ali. Você age como se tivesse o direito de saber de alguma coisa, e a pessoa logo conta o que você quer saber." 

O romance do livro aparece de plano de fundo, mas isso é tudo que ele é, um romance de plano de fundo, a história é muito mais voltada para a irmandade entre essas meninas que se encontram em uma situação tão difícil e injusta e de como elas "se dão as mãos" do que qualquer outra coisa. 


A leitura do livro é bastante fluída (eu que ficava economizando páginas), por as personagens e a história serem tão envolventes você vai lendo que nem se quer sente o passar das páginas, quando você percebe leu 100 páginas como se tivesse lido 10, eu particularmente amo livros que me deixam com essa sensação de não ver o tempo passar, mas, também é preciso dar créditos desse mérito a editora Arqueiro, a diagramação do livro só torna a leitura ainda mais agradável, a letra tem o tamanho que eu considero ideal e apesar da edição ser simples ela dá ao leitor tudo que ele precisa para aproveitar o livro da melhor forma (tirando alguns errinhos de revisão que infelizmente encontrei nos capítulos finais da minha edição). 


O final do livro, apesar de ser um pouco corrido, me convenceu, provavelmente por eu torcer tanto por essas meninas desde o começo. A sensação que ficou em mim for de vitória compartilhada sabe? delas comigo, como uma irmandade mesmo, e o que mais me encantou foi que não acabou tudo lindo como se todos os problemas tivessem sido encerrados e magicamente resolvidos, não, cada uma ainda continua lutando contra os seus demônios, ainda continuam batalhando e buscando ser fortes todos os dias, afinal, é isso que é a vida, pelo menos para mim. 

"– É só isso que a gente pode fazer, Brit. Um passo de cada vez. Quando a gente menos espera, chegou a algum lugar." 

Bom, espero que eu tenha deixado vocês com vontade de ler o livro (ou pelo menos com curiosidade), enfim, peço que deem uma chance para ele, é uma leitura formidável e, se você já leu o livro, me conta o que achou nos comentários. 
Indico

Um vício fora de época: Revival


Bom, como para quase tudo na minha vida, o meu tempo funciona diferente do da maioria das pessoas, as vezes eu vivo as coisas de forma antecipada, porém, em contrapartida, tem coisas que eu só vivo depois que quase todo mundo já viveu, e foi exatamente isso que aconteceu com o álbum Revival da Selena Gomez. 
O segundo álbum de estúdio da cantora teve o seu lançamento no dia 9 de outubro de 2015 (nem faz tanto tempo assim vai) e é composto por 14 músicas e descrito pela própria Gomez como algo "Inspirador, autêntico, real e divertido." e eu preciso dizer para vocês que concordo totalmente com os adjetivos que ela selecionou para resumir seu álbum que inclusive foi muito bem recebido pelos críticos que elogiaram os vocais a produção, além disso, foi considerado um projeto muito mais maduro, (o álbum anterior da cantora é intitulado de Stars Dance) e também exibir uma coragem e honestidade por mostrar um lado mais vulnerável da jovem estadunidense.


Confesso para vocês que já tinha "ouvido por alto" algumas músicas e já tinha gostado bastante do primeiro single (Good For You), mas não tinha me atentado tanto nas letras, nem nas mensagens e em toda a verdade contida nesse álbum, resumindo: eu ainda não tinha parado para escutá-lo de verdade, como gosto de fazer. Felizmente isso mudou nos últimos dias, eu acabei clicando em um vídeo de relacionados do youtube e me deparei com a performance que a Selena fez de Same Old Love  (segundo single do álbum) no AMA's 2015 e fiquei completamente encantada, não só pelo aprimoramento que percebi na sua voz mas também pelo estilo e letra da música. 


Depois de todo esse encanto, fui em busca de mais músicas do álbum e acabei por me deparar com uma criação que eu não esperava, pelo pouco que eu conhecia das músicas anteriores e da vida pessoal da Selena (coisas que todo mundo que está na internet e usa o twitter provavelmente já viu comentarem tanto a ponto de ir parar nos Trends Topics Mundiais da rede), encontrar algo tão profundamente sincero não era o que eu supunha, foi sem dúvidas uma grata surpresa. 



Então, me conta nos comentários se você já ouviu o álbum ou alguma música dele e se sim se ele também te passou essa sensação de honestidade e se você não ouviu espero que eu tenha te deixado pelo menos um pouco tentado a dar play em alguma dessas músicas.